Ainda no Egito HaShem nos falou:
“Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.”
(Êxodo 5:1)
Para a Torá, as festas estão atreladas a três princípios fundamentais:
1) Liberdade: Uma vez que Ele condicionou a celebração das festas à saída do Egito
2) Esforço: O deserto é símbolo de dificuldade, ensinando-nos que até mesmo a liberdade pode ter um preço e exigir esforço, responsabilidade e dedicação.
3) Obediência: No Egito, enquanto escravos, fazíamos o que não queríamos, conforme a vontade de nossos opressores. Hoje, mesmo no deserto, é justo que nos mostremos muito mais obedientes a D-us do que éramos aos nossos inimigos, não pela força, mas pelo amor aos mandamentos de HaShem.
É lamentável, porém, que para muitos de nossos irmãos no deserto, acostumados a obedecer pela força, sua dura cerviz tenha sido sua morte, não lhes sendo permitido desfrutar do descanso do Eterno.
Ler: Salmos 95:7-11.
Um Shabat para muitos Shabatot
Embora a palavra Shabat signifique originalmente descanso, é impossível vinculá-la apenas ao sétimo dia. Isto porque HaShem preferiu dar ao Yom HaShivii (Dia Sétimo) um nome ligado à Sua própria experiência com este: a contemplação da criação, a satisfação pela obra realizada e o prazer em usufruir do que havia feito.
Contudo, quando em Sua santa Torá Ele nos diz:
“Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Os meus sábados guardareis; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações, para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica.”
(Êxodo 31:13)
Aqui não se refere apenas ao sétimo dia semanal, mas também aos demais Shabatot, ou seja, aos dias de guarda, que refletem o princípio sabático, recordando a atmosfera edênica e revelando parte do caráter divino.
Logo após, no versículo 14, Ele nos diz:
“E guardareis o sábado, porque santo é para vós.”
Portanto, assim como o Shabat é um sinal da aliança entre D-us e o Seu povo Israel (Êxodo 31:16-17), também o são todos os demais Shabatot.
Compare também com:
Ezequiel 20:20 e Isaías 56:4.
Ler ainda: Levítico 19:3, 30; 23:2; 26:2.
A celebração das festas no deserto
D-us condicionou a celebração das festas como um sinal de liberdade para os filhos de Israel, exigindo que eles saíssem do Egito para que no deserto pudessem adorá-Lo (Êxodo 5:1-3).
Por causa da dureza do coração de Faraó, a primeira de nossas festas teve de ser celebrada ainda no Egito (Êxodo 5:4-9), sendo considerada pelos egípcios uma abominação, conforme Moshe Rabbeinu havia previsto (Êxodo 8:25-26). Contudo, tudo aconteceu conforme o plano previamente determinado por HaShem (Êxodo 4:23).
Isso veio a cumprir-se na última praga, quando ocorreu a morte dos primogênitos do Egito, por meio do evento da primeira festa de Pessach, descrita em Êxodo 12.
Todas as demais festas foram celebradas ainda no deserto. A primeira delas foi Shavuot, na qual hoje se comemora o recebimento da Torá no Monte Sinai, cinquenta dias após a saída do Egito.
Durante os quarenta anos de peregrinação, as festas jamais deixaram de ser celebradas. Isso nos mostra claramente que a celebração das festividades não está necessariamente atrelada à permanência na terra de Israel, como alguns pensam, mas sim a um estatuto perpétuo estabelecido por D-us.
Hoje, seja em Eretz Israel, na diáspora, em um campo de concentração ou até mesmo em uma ilha deserta, onde quer que estejamos, devemos nos esforçar ao máximo para cumprir com dedicação esta mitzvá.
Contudo, celebrá-la em agrupamentos de goim, como fazem alguns em igrejas e outros grupos não judaicos, é abominável a D-us e trará maldição, inclusive aos gentios anfitriões da festa.
Ler: Isaías 24:15; 42:12; Jeremias 31:10; Ezequiel 11:16.
Estes versos mostram que, mesmo em nossa dispersão, D-us se alegrará com nossa adoração festiva.
A observância das festas
Assim como no sétimo dia, quando nossos trabalhos devem cessar totalmente, não sendo permitido qualquer trabalho secular, também nas festas ocorre o mesmo princípio.
Entretanto, é permitido preparar alimentos que sejam consumidos no mesmo dia, desde que o fogo tenha sido aceso no dia anterior, conforme o ritual de Eruv Tavshilin, cujas instruções constam em nosso Sidur.
Especificamente nas festas de Pessach e Sucot, que são celebradas por oito dias, os dias intermediários são chamados Chol HaMoed.
Nestes dias deve-se realizar apenas trabalhos estritamente necessários, evitando atividades cotidianas e adiáveis, como:
- compras
- viagens
- passeios
- cortes de cabelo
- faxinas domésticas
Tão obrigatório quanto cessar os trabalhos nos dias festivos é celebrar estes dias em reunião solene, conforme está escrito:
“Dia de santa convocação vos será.”
(Levítico 23:7, 8, 21)
Portanto, somos ordenados a congregar em nossas sinagogas e casas de oração por ocasião dos ritos que envolvem um dia festivo, assim como fazemos nos shabatot.
Aos empresários e profissionais liberais não é admissível deixar de observar este dia. Devem fechar seus estabelecimentos e conceder folga aos seus empregados, independentemente do grau de dificuldade que isso possa trazer.
Aos empregados recomenda-se procurar fazer coincidir suas férias com as festividades ou negociar troca de serviço ou banco de horas.
Os mandamentos de D-us são vigentes e indiscutíveis, não cabendo a nós questioná-los ou ignorá-los.
Ler: Levítico 23:3, 24-27, 35-37;
Números 28:18, 25-26; 29:1, 7, 12, 35.


